{"id":7505,"date":"2022-09-05T09:14:14","date_gmt":"2022-09-05T12:14:14","guid":{"rendered":"https:\/\/lrm67.com\/?p=7505"},"modified":"2022-09-05T11:58:35","modified_gmt":"2022-09-05T14:58:35","slug":"moradores-chm-jdl-para-pedir-ajuda-sobre-permanencia-de-andarilhos-no-centro-de-sao-sebastiao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lrm67.com\/index.php\/2022\/09\/05\/moradores-chm-jdl-para-pedir-ajuda-sobre-permanencia-de-andarilhos-no-centro-de-sao-sebastiao\/","title":{"rendered":"Moradores chamam JDL para pedir ajuda sobre perman\u00eancia de andarilhos no centro de S\u00e3o Sebasti\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong>Marcello Ver\u00edssimo<\/strong><\/p>\n<p>Barulho, gritos, importuna\u00e7\u00e3o do sil\u00eancio durante a madrugada. Essas s\u00e3o apenas algumas das raz\u00f5es que levaram moradores da regi\u00e3o central de S\u00e3o Sebasti\u00e3o, pr\u00f3ximo da Pra\u00e7a da Matriz, a pedir ajuda \u00e0 reportagem do <strong>JDL<\/strong> na tarde deste s\u00e1bado (3) para tornar p\u00fablica a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma situa\u00e7\u00e3o antiga, que todo mundo sabe, todo mundo v\u00ea, mas que parece n\u00e3o ter solu\u00e7\u00e3o. A pra\u00e7a, que fica no cora\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o central do munic\u00edpio, ao lado da igreja Matriz e da C\u00e2mara Municipal \u00e9 o ponto onde se concentram a maioria dos moradores que vivem em situa\u00e7\u00e3o de rua pela cidade.<\/p>\n<p>Junto aos cachorros, eles dormem no coreto e se aglomeram pelos bancos. &#8220;Sei que n\u00e3o s\u00e3o perigosos, mas a gente nunca sabe, quando chegamos em casa a noite o que pode acontecer. O pior \u00e9 de madrugada, muitas vezes discutem alto e nem a Pol\u00edcia Militar tem o que fazer&#8221;, disse uma moradora da regi\u00e3o, que pediu para n\u00e3o ser identificada. &#8220;S\u00f3 procurei o jornal pois essa situa\u00e7\u00e3o se tornou insustent\u00e1vel&#8221;, diz a moradora, que relata ainda epis\u00f3dios pontuais de discuss\u00f5es durante a madrugada.<\/p>\n<p>A reportagem esteve na pra\u00e7a e constatou a presen\u00e7a de um grupo de andarilhos, mas alheios \u00e0 conversa resistiram a abordagem do <strong>JDL.<\/strong> Hoje em menor n\u00famero, a presen\u00e7a dos moradores em situa\u00e7\u00e3o de rua n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o maci\u00e7a quanto nos primeiros meses do ano, mas ainda \u00e9 constante, em pontos do centro de S\u00e3o Sebasti\u00e3o, como na avenida Guarda Mor Lobo Viana, no hor\u00e1rio comercial em frente a um supermercado, na porta da padaria e em frente de lojas e ag\u00eancias banc\u00e1rias.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 relatos da presen\u00e7a de andarilhos na Concha Ac\u00fastica e na Pra\u00e7a do Artes\u00e3o, na Rua da Praia, em dias sem movimento comercial. Na sa\u00edda da igreja, seja durante as missas dominicais ou durante a semana tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel v\u00ea-los abordando os fi\u00e9is e pedindo dinheiro.<\/p>\n<p><strong>Eles precisam ser vistos<\/strong><\/p>\n<p>A Fraternidade Povo da Rua, que atua h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas com mais necessitados em S\u00e3o Sebasti\u00e3o, emitiu uma nota ao <strong>JDL<\/strong>. &#8220;Infelizmente o n\u00famero de moradores de rua cresceu significativamente em nosso munic\u00edpio. As pessoas t\u00eam que entender que n\u00e3o \u00e9 um problema s\u00f3 de S\u00e3o Sebasti\u00e3o, mas sim de todo o pa\u00eds&#8221;, diz a nota da entidade que acolhe essas pessoas para momentos de ora\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o, serve refei\u00e7\u00e3o e ajuda para reinser\u00e7\u00e3o familiar e encaminhamento para locais especializados no tratamento da depend\u00eancia qu\u00edmica.<\/p>\n<p>A fraternidade vive \u00fanica e exclusivamente de doa\u00e7\u00f5es, o trabalho desenvolvido por eles j\u00e1 foi mostrado pelo <strong>Jornal do Litoral<\/strong> no dia 16 de junho. De acordo com a Fraternidade Povo da Rua, o trabalho desenvolvido pela Prefeitura de S\u00e3o Sebasti\u00e3o, por meio do CREAS (Centro de Refer\u00eancia Especializado de Assist\u00eancia Social), tamb\u00e9m \u00e9 essencial para auxiliar no tratamento dessas pessoas.<\/p>\n<p>O CREAS \u00e9 uma unidade p\u00fablica da pol\u00edtica de Assist\u00eancia Social que busca oferecer apoio e orienta\u00e7\u00e3o \u00e0s fam\u00edlias e indiv\u00edduos em situa\u00e7\u00e3o de risco pessoal e\/ou social por viola\u00e7\u00e3o de direitos. Em S\u00e3o Sebasti\u00e3o, a unidade oferece a possibilidade de um banho e caf\u00e9 da manh\u00e3, mas por ser fim de semana o <strong>JDL<\/strong> n\u00e3o encontrou nenhum representante da unidade para comentar o assunto.<\/p>\n<p>Para o padre Alessandro Coelho, p\u00e1roco do munic\u00edpio, trata-se de uma realidade que bate \u00e0 porta da sociedade todos os dias. &#8220;N\u00f3s precisamos humanizar essa rela\u00e7\u00e3o, eles precisam ser vistos, eles precisam ser enxergados para pensarmos no que pode ser feito&#8221;, diz o padre Alessandro. &#8220;\u00c9 um problema social, fruto de toda uma economia que \u00e9 excludente&#8221;, ele completa.<\/p>\n<p>O padre se refere a crescente desigualdade social no Brasil. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (IPEA), as estimativas do n\u00famero total de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua no pa\u00eds \u00e9 de aproximadamente 221.869, segundo pesquisa publicada em mar\u00e7o de 2020. &#8220;O crescimento da desigualdade social gera toda essa situa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o d\u00e1 para dizer que seja f\u00e1cil, que todo o trabalho feito incentiva que eles permane\u00e7am na rua. N\u00e3o acredito nesta teoria, precisamos olhar mais de perto, o ser humano \u00e9 imprevis\u00edvel&#8221;, diz o padre Alessandro.<\/p>\n<p>De acordo com o p\u00e1roco de S\u00e3o Sebasti\u00e3o, tratam-se de vidas e s\u00e3o v\u00e1rios os motivos que levam algu\u00e9m a morar na rua, como por exemplo o abuso de \u00e1lcool e de outras subst\u00e2ncias. &#8220;A generaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre perigosa, precisamos oferecer sa\u00eddas. Tentamos aliviar o sofrimento destas pessoas, oferecemos um jantar \u00e0s segundas, quartas e sextas, al\u00e9m de roupas e cobertores&#8221;. &#8220;Ainda conseguimos encaminhar algumas destas pessoas de volta \u00e0s suas cidades de origem, arrumar um emprego, alguns querem sair da rua, outros n\u00e3o, pois a rua tamb\u00e9m \u00e9 um v\u00edcio. \u00c9 uma abordagem que precisa ser humanizada e oferecer caminhos&#8221;.<\/p>\n<p>Por meio da a\u00e7\u00e3o da comunidade cat\u00f3lica, alguns moradores de rua ainda foram para a Fazenda Esperan\u00e7a, que trata da depend\u00eancia qu\u00edmica. &#8220;Estamos lidando com seres humanos, que tem suas individualidades, n\u00e3o estamos lidando com objetos que mudamos de lugar. Eles precisam ser vistos e acharmos uma sa\u00edda que apresente caminhos. A cidade vem se esfor\u00e7ando para fazer isso e n\u00f3s como comunidade religiosa tamb\u00e9m&#8221;, diz o padre Alessandro, acrescentando que a motiva\u00e7\u00e3o dos volunt\u00e1rios que se unem e essa luta \u00e9 religiosa. &#8220;A maneira que Jesus tratava os pobres \u00e9 a maneira que devemos tratar&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Aporofobia<\/strong><\/p>\n<p>Assim como o padre J\u00falio Lancellotti, conhecido por seu trabalho com a popula\u00e7\u00e3o de rua na capital paulista, o p\u00e1roco de S\u00e3o Sebasti\u00e3o diz que a sociedade precisa rever suas concep\u00e7\u00f5es com rela\u00e7\u00e3o aos moradores de rua. &#8220;Padre J\u00falio Lancellotti denuncia a Aporofobia, e isso \u00e9 real. As pessoas tem uma fobia, uma avers\u00e3o, um medo em rela\u00e7\u00e3o aos pobres&#8221;.<\/p>\n<p>A Aporofobia por defini\u00e7\u00e3o \u00e9 o rep\u00fadio, avers\u00e3o ou desprezo pelos pobres ou desfavorecidos caracterizada pela hostilidade com pessoas em situa\u00e7\u00e3o de pobreza ou mis\u00e9ria. &#8220;Eles nos confrontam, eles denunciam a desigualdade social, que precisamos ajudar, partilhar o que eu tenho, \u00e9 uma reflex\u00e3o profunda, n\u00e3o podemos ficar s\u00f3 na superficialidade, precisamos de uma sinergia para enxergar essas pessoas e amenizar o seu sofrimento dentro da perspectiva da f\u00e9&#8221;, analisa o padre Alessandro Coelho.<\/p>\n<p><strong>Omiss\u00e3o <\/strong><\/p>\n<p>Para a jornalista Raquel Salgado, que auxilia no trabalho com os moradores de rua, o Brasil padece de omiss\u00e3o aos mais necessitados, que vivem nas ruas. &#8220;\u00c9 uma tristeza, uma crueldade sob v\u00e1rios aspectos. Que n\u00e3o seja por compaix\u00e3o, seja por respeito pela comunidade que paga os impostos&#8221;, diz ela. &#8220;\u00c9 \u00f3bvio que os moradores de rua assustam a popula\u00e7\u00e3o. Ningu\u00e9m quer ser abordado por algu\u00e9m pedindo dinheiro, pedindo comida, fazendo bagun\u00e7a na pra\u00e7a do coreto ou embaixo da sua janela. A sociedade tem que olhar para eles&#8221;, alerta a jornalista, que reconhece que o mesmo tipo de reclama\u00e7\u00e3o recebido pelo <strong>JDL<\/strong> tamb\u00e9m est\u00e1 acontecendo em outras cidades do pa\u00eds. &#8220;\u00c9 um mito cruel dizer que todas essas pessoas preferem ficar na rua ao inv\u00e9s de trabalhar, n\u00e3o \u00e9 verdade. Nenhum ser humano quer ficar na sarjeta por medo do trabalho&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marcello Ver\u00edssimo Barulho, gritos, importuna\u00e7\u00e3o do sil\u00eancio durante a madrugada. 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