{"id":42734,"date":"2026-02-06T10:36:16","date_gmt":"2026-02-06T13:36:16","guid":{"rendered":"https:\/\/lrm67.com\/?p=42734"},"modified":"2026-02-06T10:36:16","modified_gmt":"2026-02-06T13:36:16","slug":"ancestralidade-mitologia-e-homenagens-conheca-a-historia-por-tras-dos-sambas-enredos-de-2026-das-escolas-de-samba-de-ilhabela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lrm67.com\/index.php\/2026\/02\/06\/ancestralidade-mitologia-e-homenagens-conheca-a-historia-por-tras-dos-sambas-enredos-de-2026-das-escolas-de-samba-de-ilhabela\/","title":{"rendered":"Ancestralidade, mitologia e homenagens: conhe\u00e7a a hist\u00f3ria por tr\u00e1s dos sambas-enredos de 2026 das escolas de samba de Ilhabela"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\">O desfile das escolas de samba de Ilhabela ser\u00e1 neste s\u00e1bado (7) e as agremia\u00e7\u00f5es j\u00e1 est\u00e3o esquentando seus tamborins e atabaques. No cora\u00e7\u00e3o de cada integrante, o samba-enredo pulsa pronto para ser recitado na Rua Dr. Carvalho, na Passarela do Samba. As letras de 2026 reverenciam moradores ilustres, mitologias, saberes e culturas de povos que ajudaram a construir o Brasil e at\u00e9 um dos sonhos mais antigos da humanidade: voar.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Confira a sinopse do samba-enredo de cada escola e a hist\u00f3ria representada pelos seus versos e refr\u00e3os.<\/p>\n<h2 style=\"font-weight: 400;\"><strong>Garraf\u00e3o<\/strong><\/h2>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A Unidos do Garraf\u00e3o faz uma viagem pela mitologia iorub\u00e1 (grupo \u00e9tnico da \u00c1frica Ocidental) para exaltar o orix\u00e1 Ox\u00f3ssi, senhor da ca\u00e7a, das matas, da fartura e do conhecimento. Por meio do it\u00e3 ou \u00edtan, os contos sagrados que descrevem mitos e lendas dos orix\u00e1s, vividos na cidade sagrada do povo yorub\u00e1, o enredo narra a fa\u00e7anha do jovem ca\u00e7ador que, com uma \u00fanica flecha, restaura a ordem e se torna her\u00f3i de seu povo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Guiado pelos ensinamentos de Obatal\u00e1, Exu, Ossain, Ogum, Oxum, Iemanj\u00e1 e Orunmil\u00e1, Ox\u00f3ssi atravessa prova\u00e7\u00f5es, cai no esquecimento e renasce eterno. Na avenida, o terreiro se abre, o ax\u00e9 floresce e o garraf\u00e3o celebra a ancestralidade, a mem\u00f3ria e a for\u00e7a do ca\u00e7ador que nunca erra.<\/p>\n<h3 style=\"font-weight: 400;\"><strong>Samba-enredo<\/strong><\/h3>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Firma o ponto, batuqueiro! Vem sarav\u00e1 lebar\u00e1, \u00f4&#8230; \u00ca mojub\u00e1!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Meu garraf\u00e3o \u00e9 macumbeiro,<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ox\u00f3ssi vai baixar nesse terreiro! (bis)<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Foi h\u00e1 muito tempo, em il\u00ea if\u00e9 que aconteceu.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Na festa dos inhames,<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Onde o c\u00e9u escureceu,<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Um p\u00e1ssaro assombroso, de grandes asas,<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">L\u00e1 no castelo pousou&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">E o povo horrorizado&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">E assim a saga come\u00e7ou.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ok\u00ea, ok\u00ea&#8230; Ok\u00ea!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Arol\u00e9 k\u00ed o!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sua flecha \u00e9 certeira,<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">S\u00f3 eu sei onde caiu. (bis)<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Obatal\u00e1 ensinou o segredo da ca\u00e7a<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Osain fez feiti\u00e7o com mel e cacha\u00e7a<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ora y\u00ea y\u00ea \u00f4!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Oxum foi amor com do\u00e7ura,<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Logum ed\u00e9 nasceu com bravura e ternura.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Foi Ogum quem ensinou a lutar e a ser leal.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o mate a ej\u00f3 de Xang\u00f4,<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Pois desperta o mal!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Nas \u00e1guas de m\u00e3e Iemanj\u00e1,<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O eb\u00f3 \u00e9 de orunmil\u00e1,<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">E quando o vento soprar&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Nosso il\u00ea vai cantar<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Compositores: Roberto Xaxa, Marcelo Dubau, Quebinho, Nico, Beb\u00ea, Tutula<\/p>\n<h2 style=\"font-weight: 400;\"><strong>Le\u00f5es do ITA<\/strong><\/h2>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A Acad\u00eamicos Le\u00f5es do Ita<strong>\u00a0<\/strong>apresenta o enredo \u201cSob a Luz do Destino \u2013 Le\u00f5es do Ita Canta DonDito<strong>\u201d<\/strong>, uma homenagem em vida a um dos maiores baluartes da cultura popular e do samba do Litoral Norte de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Filho biol\u00f3gico de Helena, DonDito \u00e9 acolhido e criado por dona Laureci, mulher branca, m\u00e3e de santo, e que lhe oferece n\u00e3o apenas um lar, mas ra\u00edzes profundas no ax\u00e9, no respeito e na espiritualidade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Criado no bairro do Ita, entre ruas de ch\u00e3o batido e brincadeiras simples, DonDito constr\u00f3i sua inf\u00e2ncia em meio ao som dos terreiros, \u00e0s b\u00ean\u00e7\u00e3os da umbanda e do candombl\u00e9, onde se torna og\u00e3, mensageiro dos orix\u00e1s, aprendendo desde cedo que o tambor tamb\u00e9m educa, protege e guia destinos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Cantor, compositor e refer\u00eancia, DonDito passa a integrar e contribuir com as<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">mais tradicionais agremia\u00e7\u00f5es de Ilhabela e S\u00e3o Sebasti\u00e3o, consolidando-se<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">como o\u00a0<strong>Pai do Samba do Litoral Norte<\/strong>.<\/p>\n<h3 style=\"font-weight: 400;\"><strong>Samba-enredo<\/strong><\/h3>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Quem tem que se segurar, segura<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Que o Ita vai balan\u00e7ar a rua<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Al\u00f4 DonDito a ilha veio trazer (refr\u00e3o)<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Flores em vida pra voc\u00ea<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Forjado nas garras do le\u00e3o, hist\u00f3ria de luta e supera\u00e7\u00e3o, o negro menino viveu ado\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Recebe o afeto da sua m\u00e3e branca\u2026<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Cercado de amor\u2026 a alian\u00e7a de fam\u00edlia consistiu, \u00e9s o retrato do Brasil, Benedito que o destino construiu<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">P\u00e9 descal\u00e7o no ch\u00e3o, sem camisa<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Bola, pipa, pi\u00e3o na ladeira<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Um mergulho no mar, mais nada pra fazer (refr\u00e3o)<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A inf\u00e2ncia que hoje em dia n\u00e3o se v\u00ea<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">B\u00ean\u00e7\u00e3o de ax\u00e9 vem pra sustentar<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O espiritual na gira<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Og\u00e3 mensageiro de Xang\u00f4&#8230; Ka\u00f4\u2026 Ka\u00f4<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Mareia seus olhos de amor<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O samba na alma afasta a dor<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os filhos\u2026<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sempre honrando a cartilha<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A miss\u00e3o de ser sambista que o pai ensinou<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Seu nome \u00e9 poesia na avenida<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Homenagem merecida ao verdadeiro le\u00e3o<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Que jamais trair\u00e1 seu pavilh\u00e3o<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Compositor: Maestro Jota<\/p>\n<h2 style=\"font-weight: 400;\"><strong>Padre Anchieta<\/strong><\/h2>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u201cAh, quem me dera voar!\u201d. Quem neste mundo nunca teve este sonho? Imaginar-se como belos seres livres, alcan\u00e7ar os astros, integrar-se com o universo. Andar, correr, nadar, n\u00e3o basta. O homem quer ser completo e livre e, para isso, ele sonha.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A Escola de Samba Unidos de Padre Anchieta traz para a passarela seus passageiros-passistas vestindo a tradi\u00e7\u00e3o do sonho de voar.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u201cO \u00cdmpeto de Voar\u201d trata do sonho, t\u00e3o remoto quanto o pr\u00f3prio homem, de voar livre pelos c\u00e9us. Mitos, lendas que surgem da observa\u00e7\u00e3o dos p\u00e1ssaros se transformam em inventos, conquistas tecnol\u00f3gicas, em dire\u00e7\u00e3o ao sonho. Hoje, esse sonho j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel, as incr\u00edveis m\u00e1quinas voadoras permitem o deslocamento do homem ao espa\u00e7o. A lua \u00e9 um local de pouso, mas como ainda n\u00e3o somos p\u00e1ssaros, o sonho continua.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A escola perpassa a magia do voar desde a mitologia grega at\u00e9 os grandes inventores, como Leonardo Da Vinci e o brasileiro Santos Dumont.<\/p>\n<h2 style=\"font-weight: 400;\"><strong>Samba-enredo<\/strong><\/h2>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O \u00edmpeto de voar<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ah, quem me dera voar!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Quem sabe sonhar no azul mais bonito<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Livre pelos c\u00e9us \u00e9 poss\u00edvel conquistar<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Tudo que encontra o infinito<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Abra as cortinas do tempo<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Voa o pensamento pra divina cria\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ao flutuar sobre a terra e o mar<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O dom de encontrar a dire\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Me leva, feito imagem e semelhan\u00e7a<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Mitologia que resgata o passado<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">E um dia cruzamos o sol e a lua com seres alados<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Com asas de cera, buscar liberdade<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Vi P\u00e9gaso, enfim&#8230; A imortalidade<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Voar num tapete, riscar o c\u00e9u<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">E ver a magia flutuar ao l\u00e9u<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Mais que um privil\u00e9gio&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Viajar nas asas do desconhecido<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A arte fervilhando a imagina\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Desejos, profecias e caminhos<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Tocar as nuvens, ser passarinho<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Pra renascer e voltar pro velho ninho<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Na mais fascinante aventura<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Viaja atr\u00e1s do conhecimento<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Volte no tempo, pro mundo entender<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Se hoje o c\u00e9u tem p\u00e1ssaros de a\u00e7o<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O homem e o espa\u00e7o<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A verdade nas alturas do saber<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu quero voar, buscar a vit\u00f3ria<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Cruzar o limite, alcan\u00e7ar o infinito<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sou Padre Anchieta nas asas da imagina\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Pro meu samba pousar no seu cora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Composi\u00e7\u00e3o: Wander da Anchieta e L\u00e9o do Cavaco<\/p>\n<h2 style=\"font-weight: 400;\"><strong>Mocidade<\/strong><\/h2>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Houve um tempo passado, muito triste e lamentado, que hoje a hist\u00f3ria registra na luta das pessoas negras. Diante da resist\u00eancia dos \u00edndios \u00e0 escravid\u00e3o, os portugueses e paulistas recorreram ao servilismo do negro africano. Desde 1531, h\u00e1 not\u00edcia da escravid\u00e3o negra no Brasil.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Durante a invas\u00e3o holandesa, em Pernambuco, o n\u00famero de escravos fugidos no interior de Alagoas foi enorme. Formaram-se ent\u00e3o os quilombos, ref\u00fagios de negros fugitivos que lutavam a pre\u00e7o de sangue pelo direito de liberdade. Desses grupos, o de Palmares foi o que mais tempo durou, de 1630 a 1695, e o que ocupou maior \u00e1rea territorial, cerca de quatrocentos quil\u00f4metros quadrados dos atuais estados de Pernambuco e Alagoas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Entre fugas e batalhas, o para\u00edso de Palmares foi criado para ser o s\u00edmbolo da resist\u00eancia dos negros escravizados. Chega de a\u00e7oite, chega de lamento, a bravura e a resist\u00eancia voam com a esperan\u00e7a em busca da liberdade. Vidas sacrificadas, sangue derramado, nada foi em v\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">E \u00e9 com essa for\u00e7a aguerrida que a Mocidade vai pisar na avenida para mostrar sua garra e apresentar essa justa homenagem aos negros que hoje conquistaram seu espa\u00e7o.<\/p>\n<h3 style=\"font-weight: 400;\"><strong>Samba-enredo<\/strong><\/h3>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Vamos exaltar a luta dos irm\u00e3os que conquistaram a liberdade<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">E nosso canto em louva\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Traz a for\u00e7a de Palmares<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Pro Quilombo Mocidade<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">L\u00e1grimas ao mar, sofrimento e dor na travessia<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Tumbeiro onde a morte se anuncia<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Traz a for\u00e7a africana<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Pras lavouras das capitanias<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Mas o negro n\u00e3o se intimidou<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Com sua coragem resistiu ao cativeiro<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Lutou contra o dom\u00ednio europeu<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Deixando exemplo para o povo brasileiro<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Hoje tem maracatu, tem congada, tem lundu \/ ao som da alfaia \/ celebrar nossa raiz \/ trazendo no peito \/ sou negro, eu sou mais feliz!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Mas gangazumba perdeu o seu reinado<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Assassinado, tido como traidor<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Rejeitando a alian\u00e7a<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Com o opressor<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Zumbi, ent\u00e3o, se torna l\u00edder aclamado<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Da resist\u00eancia contra o velho bandeirante<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Que em sua sanha<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Destru\u00eda o sert\u00e3o<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Fica o legado<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Dos nossos le\u00f5es guerreiros<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Que deram sangue<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Por sua liberta\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Composi\u00e7\u00e3o: Jun\u00e3o Lima, Tuta Do Irapuru, Odimar Do Banjo, Leandrinho Lv, Ramiro Perr\u00e9, Nei Melodia<\/p>\n<h2 style=\"font-weight: 400;\"><strong>\u00c1gua na Boca<\/strong><\/h2>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A escola traz para 2026 o batuque da umbigada, dan\u00e7a de express\u00e3o simb\u00f3lica de sauda\u00e7\u00e3o advinda da costa do continente africano, especialmente de Mo\u00e7ambique e das comunidades de linguagem Bantu. Dentre as dan\u00e7as circulares desse povo, destaca-se a \u201cCaiumba\u201d que re\u00fane homens e mulheres em roda e na qual seus praticantes batem seus umbigos um no outro como forma de gratid\u00e3o \u00e0 vida.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">No Brasil, escravizados da regi\u00e3o foram levados para planta\u00e7\u00f5es de cana-de-a\u00e7\u00facar nas cidades do interior paulista, um trabalho \u00e1rduo e sacrificado. Um dos \u00fanicos consolos desses trabalhadores era, no cair da noite, dan\u00e7ar Caiumba, que, com o tempo, passou a exigir um ritmo mais concentrado e ensejou a cria\u00e7\u00e3o do \u201ctambu\u201d, um tipo de tambor de madeira revestido com pele animal. A pessoa respons\u00e1vel pelo instrumento passou a ser chamada de \u201cbatuqueiro\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A dan\u00e7a se espalha para as comunidades quilombolas e ao ritmo do \u201ctambu\u201d passa a incorporar poesias, cantos e lamentos do tempo de cativeiro, escravid\u00e3o e dor, preservando a mem\u00f3ria dos seus ancestrais.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Na umbigada, o culto aos orix\u00e1s tamb\u00e9m se fez presente e se entrela\u00e7a com a devo\u00e7\u00e3o dos santos cat\u00f3licos em um sincretismo religioso no qual o sagrado se funde em diferentes formas, mas em uma \u00fanica ess\u00eancia. \u00c9 dessa forma que a \u00c1gua na Boca reverencia a ancestralidade do povo preto que foi escravizado, trazendo alegria e alento no ritmo do batuque e da umbigada, que tamb\u00e9m viraram samba de roda, samba de terreiro e samba de enredo.<\/p>\n<h3 style=\"font-weight: 400;\"><strong>Samba-enredo<\/strong><\/h3>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Deu \u00e1gua na boca, o samba raiz<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Para povo feliz firmar batucada<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A pele arrepia e o corpo de mola<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Faz escola no tambor da umbigada<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Da costa africana, a tradi\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 batuque mo\u00e7ambique,<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Bantu inspira\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Caiumba pra gira fazer kizumba<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Umbigada energia, o corpo em comunh\u00e3o<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Mem\u00f3ria forjada pelo marfim, lembran\u00e7a divina dos ancestrais<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Onde repousa a natureza<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">E o sol da savana vibra pela paz<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A \u00c1frica se veste em devo\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Nasce a heran\u00e7a de uma gera\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Bate o tambu,<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Clareia a escurid\u00e3o<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Pra girar na umbigada<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">E clamar liberta\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A fuma\u00e7a do cachimbo<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Preto velho j\u00e1 soprava<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 reza livre que ressoa na senzala<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Do cativeiro \u00e0 luz da resist\u00eancia<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O povo dan\u00e7ou com a f\u00e9 no olhar<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">No interior, len\u00e7o a colorir<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A for\u00e7a que insiste em persistir<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Veio o batuque, o lamento e a flor<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Verso que apaga a dor<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Nas fogueiras acesas a uni\u00e3o<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ponto de umbanda,<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Canto para os santos<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A f\u00e9 moldada na mesma ora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Samba, onde o samba fez escola<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Do terreiro \u00e0 avenida, a consagra\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Composi\u00e7\u00e3o: Rodrigo Shumacker<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O desfile das escolas de samba de Ilhabela ser\u00e1 neste s\u00e1bado (7) e as agremia\u00e7\u00f5es j\u00e1 est\u00e3o esquentando seus tamborins e atabaques. No cora\u00e7\u00e3o de cada integrante, o samba-enredo pulsa pronto para ser recitado na Rua Dr. Carvalho, na Passarela do Samba. 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