{"id":15957,"date":"2023-06-09T17:02:34","date_gmt":"2023-06-09T20:02:34","guid":{"rendered":"https:\/\/lrm67.com\/?p=15957"},"modified":"2023-06-09T17:02:34","modified_gmt":"2023-06-09T20:02:34","slug":"ultima-reportagem-de-serie-especial-revela-obstaculos-dos-lgbtqiap-para-manter-relacionamentos-afetivos-saudaveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lrm67.com\/index.php\/2023\/06\/09\/ultima-reportagem-de-serie-especial-revela-obstaculos-dos-lgbtqiap-para-manter-relacionamentos-afetivos-saudaveis\/","title":{"rendered":"\u00daltima reportagem de s\u00e9rie especial revela obst\u00e1culos dos LGBTQIAP+ para manter relacionamentos afetivos saud\u00e1veis"},"content":{"rendered":"<p>Marcello Ver\u00edssimo<\/p>\n<p>Um assunto que j\u00e1 n\u00e3o deveria mais ser tabu e continua no gueto. O amor e relacionamentos saud\u00e1veis entre pessoas do mesmo sexo ainda \u00e9 alvo de julgamentos, preconceito e crueldades por uma boa parcela da sociedade.<\/p>\n<p>N\u00e3o a toa o Dia dos Namorados e o M\u00eas do Orgulho LGBTQIAP+ est\u00e3o na mesma \u00e9poca do ano no Brasil, que \u00e9 o pa\u00eds que mais mata lgbts no mundo. Embora as gera\u00e7\u00f5es atuais estejam quebrando paradigmas relacionados a sexualidade, levantamento do Grupo Gay da Bahia mostra que ao menos 256 l\u00e9sbicas, gays, bissexuais, travestis e transg\u00eaneros foram v\u00edtimas de morte violenta em 2022.<\/p>\n<p>Em m\u00e9dia, um LGBTI+ \u00e9 assassinado a cada 34 horas no Brasil. De acordo com o levantamento foram 242 homic\u00eddios e 14 suic\u00eddios ao longo do<br \/>\nano passado. Entre as v\u00edtimas, 134 (52%) eram gays e 110 (43%) travestis ou transexuais. Mais da metade desses crimes foram cometidos por armas de fogo ou brancas, mas tamb\u00e9m h\u00e1 casos de asfixia, espancamento, apedrejamento, esquartejamento e atropelamento proposital, ou seja, com inten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia, como compara\u00e7\u00e3o os Estados Unidos registraram o assassinato de apenas 32 trans no mesmo per\u00edodo. Os Estados Unidos possuem 100 milh\u00f5es de habitantes a mais que o Brasil.<\/p>\n<p>De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica), 12% da popula\u00e7\u00e3o brasileira adulta atualmente se declara gay, bissexual, assexuada, l\u00e9sbica ou transg\u00eaneros, s\u00e3o aproximadamente 19 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>A sexta e \u00faltima reportagem da s\u00e9rie especial do JDL sobre os mist\u00e9rios do amor e o Dia dos Namorados saiu \u00e0s ruas para tentar entender os anseios de parte desta popula\u00e7\u00e3o que vive no Litoral Norte. Durante a apura\u00e7\u00e3o desta reportagem, infinitas vari\u00e1veis surgiram para explicar as dificuldades dos relacionamentos, principalmente entre homens gays, darem certo.<\/p>\n<p>Uma dessas vari\u00e1veis, segundo os especialistas em comportamento, diz que diferentemente dos heterossexuais, que tem a hegemonia do modelo de &#8220;relacionamento perfeito&#8221;, os homens gays s\u00e3o incapazes de lidar com os sentimentos, pois socialmente o homem tem restri\u00e7\u00f5es impostas desde muito cedo para expor o que sente, n\u00e3o se mostrar vulner\u00e1vel, n\u00e3o chorar.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o advento dos aplicativos onde se consegue sexo r\u00e1pido, baladas, redes sociais, entre outros fatores que potencializam as possibilidades das rela\u00e7\u00f5es ef\u00eameras deixando quem namora com a impress\u00e3o de sempre estar perdendo a &#8220;festa do ano&#8221; por estar com algu\u00e9m apostando na exclusividade.<\/p>\n<p>Por mais que os LGBTQIAP+ tentem copiar os padr\u00f5es heteronormativos com festas de casamento com bolos, belos cen\u00e1rios, os noivos de ternos iguais e postem fotos de viagens no Instagram os especialistas dizem que esses &#8221; compromissos das rela\u00e7\u00f5es heteronormativas necessariamente n\u00e3o existem nas rela\u00e7\u00f5es gays&#8221;, como mistura de patrim\u00f4nios, comunh\u00e3o de bens e as chamadas &#8220;no\u00e7\u00f5es de obriga\u00e7\u00f5es morais&#8221;, ou o juramento de \u201cna sa\u00fade e na doen\u00e7a, na alegria e na tristeza\u201d.<\/p>\n<h6>Continua ap\u00f3s a imagem<\/h6>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-15959\" src=\"https:\/\/lrm67.com\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/EB674550-D2FB-47E2-BFC8-D479726C5BF0.jpeg\" alt=\"\" width=\"599\" height=\"1296\" srcset=\"https:\/\/lrm67.com\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/EB674550-D2FB-47E2-BFC8-D479726C5BF0.jpeg 599w, https:\/\/lrm67.com\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/EB674550-D2FB-47E2-BFC8-D479726C5BF0-139x300.jpeg 139w, https:\/\/lrm67.com\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/EB674550-D2FB-47E2-BFC8-D479726C5BF0-473x1024.jpeg 473w\" sizes=\"(max-width: 599px) 100vw, 599px\" \/><\/p>\n<h3>Coragem<\/h3>\n<p>Em Caraguatatuba, a ativista pelos direitos LGBTQIAP+ Th\u00edfany Felix, que foi presidente do F\u00f3rum LGBT do Litoral Norte Paulista, disse que assumir um relacionamento afetivo \u00e9 um ato de coragem. &#8220;As pessoas conseguem separar as LGBTs da sociedade heteronormativa quando o assunto \u00e9 sentimento. O atendimento feito na UAMI (Unidade de Atendimento a Mol\u00e9stias Infectocontagiosas) \u00e9 um incentivo para combater essa inseguran\u00e7a, aqui tem a parte psicol\u00f3gica, pois existem LBGBts que n\u00e3o sabem ainda nem o que de fato s\u00e3o, se a quest\u00e3o dela \u00e9 sexual ou de g\u00eanero&#8221;, diz Thifany. &#8220;A Uami oferece esse apoio. A sociedade heteronormativa atribui a quest\u00e3o das infec\u00e7\u00f5es sexualmente transmiss\u00edveis aos LGBTs como se n\u00f3s fossemos os portadores de tudo&#8221;, ela completa.<\/p>\n<p>Thifany recebeu a reportagem do JDL na tarde desta sexta-feira (9) junto com o coordenador da UAMI, Renato Portes, durante o cadastramento do grupo que vai at\u00e9 a Parada do Orgulho LGBT+ em S\u00e3o Paulo neste domingo (11). &#8220;Muitas vezes n\u00e3o d\u00e1 certo n\u00e3o \u00e9 nem pelo amor e sim pelo respeito e responsabilidade, muitas vezes \u00e9 f\u00e1cil voc\u00ea amar o dif\u00edcil \u00e9 ter o respeito e a responsabilidade de amar o outro como ele te ama, se tem respeito, tem amor, os dois andam juntos&#8221;, analisa Renato.<\/p>\n<p>A ativista Thifany concorda com o fato de os LGBTs serem considerados mais libertos e n\u00e3o precisarem seguir padr\u00f5es impostos pela sociedade heteronormativa. &#8220;Como vemos muitos h\u00e9teros casando para fazer tipo com a sociedade e v\u00e3o numa esquina sair com uma travesti, uma transsexual ou at\u00e9 mesmo com um garoto ou garota de programa&#8221;. &#8220;N\u00f3s lgbts temos mais coragem de assumir um relacionamento e da mesma forma caso n\u00e3o d\u00ea certo a gente separa do que as pessoas heteronormativas que seguem um padr\u00e3ozinho e acabam sofrendo por desconhecer que s\u00e3o lgbts&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marcello Ver\u00edssimo Um assunto que j\u00e1 n\u00e3o deveria mais ser tabu e continua no gueto. 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