Incondicional: Famílias sobreviventes da tempestade celebram amor por seus pets

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Marcello Veríssimo

Amor incondicional, amor que não se mede. Historicamente, os seres humanos cultivam esse sentimento de forma muito estreita com os chamados animais de estimação, em sua maioria cães e gatos, independentemente da cultura, crença ou classe social que faz parte da evolução humana.

Não há registros históricos comprovados que datem o início da história de amor entre seres humanos e os animais. Mas, os especialistas dizem que a pureza desse sentimento só faz bem para ambas as partes, principalmente para o ser humano. “De todos os benefícios este talvez seja o mais importante: ao cuidar de um animal de estimação damos a nós mesmos o privilégio de amar, servir e ser amado. Só quem tem ou teve um pet sabe o amor incondicional que eles transmitem para nós. É como se cada olhar fosse um agradecimento por estarmos ali”, informou o Instituto Santo Pet. “Cuidar de um animalzinho é uma oportunidade única de amadurecimento, de crescimento, de descoberta sobre o que o amor genuíno”.

De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no Brasil atualmente vivem mais de 132 milhões de pets, enquanto ao redor de todo mundo são mais de 12 milhões de famílias que possuem um animal de estimação, o que corresponde a 40% dos lares.

Para a organização britânica Pet Food Manufacturer Association (PFMA) é o reflexo de uma tendência que só cresceu nos últimos anos, provocando mudanças no comportamento, na economia, entre outros setores. “Eles não querem nada em troca, apenas nossa decisão de amar e cuidar”, completa o Instituto Santo Pet.

Para se ter uma ideia da força deste amor, mesmo durante a pandemia e diante da crise econômica que assola o país, o setor movimenta cerca de R$ 20 bilhões, segundo dados da Euromonitor International. O Brasil é o segundo país com mercado de produtos pet do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

A quarta reportagem da série especial sobre os mistérios do amor e o Dia dos Namorados foi buscar respostas práticas para conhecer este amor. Com a ajuda da protetora dos animais de São Sebastião, Maria Cecília Nobre, esteve na tarde desta segunda-feira (5), na Vila de Passagem, no bairro Topolândia, região central do município para conhecer as histórias de amor entre os pets e seus donos, que mesmo diante de todas as dificuldades permanecem unidos.

Essa é uma das semelhanças entre as histórias dos moradores do local, que dividem o espaço e a vida com seus pets. Aproximadamente 12 famílias vivem com seus animais de estimação na Vila de Passagem da Topolândia. “Eles não perderam a fé e nem o amor pelos animais. Toda a história de amor entre famílias e pets são lindas, mas a diferença aqui é que eles estão no limite de tensão, de expectativas e nem por isso abandonaram seus pets”, diz Maria Cecília, conhecida no bairro por seu trabalho de Yoga, como professora Ciça.

A dona de casa Cláudia Helena Rodrigues, 38, possui quatro cães. Ela conta que, na noite da tempestade, no dia 19 de fevereiro, saiu correndo de casa junto com a família e não esqueceu dos cachorros. “A gente pega um e depois pega o outro para não ficar sozinho e assim foi. Eu tive uma depressão muito séria, depois de sofrer um AVC, eles sentiam, não me abandonaram. É amor mesmo, não é agradecimento, a gente cria por amor, se for agradecimento uma hora a gente enjoa e joga fora”, diz a dona de casa, que recebeu a reportagem com simplicidade e um cafezinho. “Cachorro não é modismo, é uma vida que sente frio, fome, sede”, ela completa.

Pelos corredores da Vila de Passagem não faltam demonstrações de amor e afeto pelos animais que, sem parecer clichê, acabam se tornando membros das famílias. O amor dos cães é retribuído sem exigências, guardando as devidas proporções a única “exigência” é estar perto dos tutores, para dar o carinho que eles podem. “A gente está bravo eles estão perto, se estamos tristes eles estão perto, se estamos felizes também. Estão em todos os momentos, são nossos escudos protetores”, conta Cláudia.

Amor & amizade – O morador Joaquim Tavares da Silva, que também sobreviveu aos desabamentos na rua Antônio Tenório, apresentou a sua cadela Tofu, uma simpática sem raça definida, que o acompanha por onde ele passa na Vila. Ele conta que, além da cadelinha Tifu, sua amiga Lilica, outra sem raça definida, também chegou ao local e não saiu mais. “As duas são amigas, vim embora e ela veio comigo, a Lilica era vizinha e veio depois conhecer o espaço”, diz Joaquim, feliz da vida pelas companhias.

A técnica em enfermagem aposentada, Edinalva Alves da Silva, conta que seu cachorro Gordão vai fazer três anos e está com a família desde bebezinho. “Ele é do meu filho, se ele ver que meu filho está em perigo vai pra cima é um defensor”, diz ela, orgulhosa.

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